Vendedor ambulante busca tratamento para não ter pernas amputadas

Mesmo após a descoberta da diabetes, o 'camelô' não abandonou o trabalho

Enviado Direto da Redação

Foto: Luiz Nicolela


O olhar triste e a fala mansa diferenciam Ricardo Luiz Carvalhais, de 52 anos, dos demais vendedores ambulantes do Centro de Niterói. Com a perna enfaixada, bastante inchada e já comprometida pela diabetes, ele anda se equilibrando, pelo estacionamento da Igreja São João, com uma muleta de um lado do corpo e com suas palhetas de para-brisas do outro. Se no passado ele chegou a vender mais de R$150 por dia, depois de ser afetado pela doença Ricardo não atinge nem metade desse valor, vendendo os mesmos itens.


Trabalhando há mais de 20 anos no mesmo ponto, sempre vendendo acessório para veículos, o morador do bairro Boa Vista, em São Gonçalo, não deixou as dificuldades afetarem seu caráter. “Sempre trabalhei assim, e só me arrependo de não ter pensado no meu futuro. Se tivesse pensado, hoje eu estaria aposentado e poderia me cuidar para não perder a perna”, falou de cabeça baixa, com lágrimas escorrendo pelo rosto.


O olhar de Ricardo demonstra a realidade de milhares de brasileiros: ou ele trabalha com dor e garante comida em sua mesa, ou busca tratamento e fica sem renda nenhuma. Atualmente o vendedor mora sozinho, na casa cedida pela ex-mulher, com quem foi casado por trinta anos. “Nesse ponto eu tenho que agradecer a ela. Se ela não me deixasse ficar lá, eu não teria nem onde morar”, contou.


Pai de um menino, Ricardo descobriu em 2011 que tinha um tumor na cabeça. Operou. E aí começaram as complicações com a diabetes, que tem avançado de forma assustadora. Sem tratamento, o homem está correndo risco de perder uma das pernas, que já tem feridas e dói incessantemente, como ele afirma.


“É meu meio de trabalho. Quero tratar para não perder a perna, mas se perder, perdeu, né? O que eu posso fazer? Não tenho ajuda”, disse, sentado na escada da igreja, ainda com o olhar perdido e com o semblante triste.


Conhecido no local, Ricardo repete a mesma rotina de segunda a sexta. Em São Gonçalo ele pega a van, desce no Centro de Niterói, toma café da manhã no restaurante popular e segue até seu ponto de trabalho. O trajeto, repetido há vinte anos, ta ficando mais difícil para ele fazer, mas o vendedor não pensa em desistir. “Quero ajudar para me cuidar e comprar meus remédios. Se eu conseguisse uma renda poderia me tratar e continuar trabalhando”, disse o vendedor.


A Secretaria de saúde do município informou que "foi marcada uma consulta nesta sexta-feira, às 15h, no Polo Sanitário Washington Luiz, para fazer limpeza e curativo das feridas. Além disso, uma consulta com médico especialista será marcada em sua unidade de origem, o Polo Hélio Cruz, no Colubandê".


Já a Secretaria de Assistência Social esclareceu que "para saber sobre direito a algum benefício é necessário que o senhor Ricardo tenha cadastro no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) mais próximo de sua residência, que seria o CRAS Centro, que fica localizado na Rua Dona Clara 541, Boaçu. Para realizar o cadastro é necessário: Identidade, CPF, Comprovante de Residência atualizado, título de eleitor, carteira de trabalho, certidão de nascimento ou casamento".


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