Febre amarela assusta a população de Niterói após macaco morto

Há 13 registros da doença no Estado

Enviado Direto da Redação
>> A divulgação de informações sobre óbitos está fazendo com que a população procure os postos de saúde em massa

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Foto: JD



Um dia após o anúncio da morte de um macaco por febre amarela, no bairro do Fonseca, em Niterói, e a investigação da morte de outro animal, em Viçoso Jardim, as prefeituras de Niterói e São Gonçalo intensificaram a vacinação da população. Nos municípios, 56 postos estão realizando as imunizações. Vem sendo grande a procura da população que tem enfrentado horas em longa filas para garantir suas vacinas.


Em Niterói, a ameaça da doença fez com que a prefeitura ampliasse os locais de vacinação na cidade, passando de 30 para 38 os postos de imunização. No ano passado, o município aplicou mais de 190 mil doses da vacina e, em 2018,  8 mil pessoas já haviam sido vacinadas, até a quarta-feira. Até o momento, as vacinas estão sendo aplicadas em dose integral, não precisando de nenhum reforço por toda a vida.


Quem pode se vacinar - Podem se vacinar todas as pessoas a partir dos 9 meses até os 59 anos de idade, conforme orientação do Ministério da Saúde. Gestantes, mulheres que estejam amamentando, bebês entre os seis meses e os nove nove meses de vida e idosos com mais de 60 anos devem passar pela avaliação de um profissional de saúde.


O eletricista Diogo Freitas, de 32 anos, morador da Engenhoca, resolveu enfrentar uma longa espera para garantir a vacinação.


“Ao saber da morte desse macaco, fiquei bem preocupado e resolvi vir o quanto antes. Viajo muito para região de matas e a imunização é inevitável. Ano passado estava trabalhando muito e não pude comparecer, mas hoje (ontem) só saio daqui vacinado”, disse. 


De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), subiu para treze o número de pessoas infectadas pela doença no Rio de Janeiro, em 2018, sendo confirmados cinco óbitos.  


Sintomas - “Os sintomas da febre amarela são bem parecidos com o de outras doenças, como febre, dores musculares, olhos e fezes amareladas e urina escura. Por isso, é tão importante que, ao procurar atendimento médico, a pessoa conte exatamente por onde andou, para que o diagnóstico possa ser feito de forma precisa”, explica o infectologista Edmilson Migowski.


Fracionamento da vacina - A Secretaria Estadual de Saúde informou que, em alinhamento com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo e com o objetivo de construir uma estratégia conjunta de enfrentamento da febre amarela, dará início, na próxima quinta-feira, a utilização das doses fracionadas de vacina contra a doença.


Já no dia 27, a partir das 9h, a SES realizará o Dia D de vacinação contra a febre amarela. Todos os 92 municípios do Rio vão participar e objetivo da campanha é chamar a atenção da população para a importância de se imunizar contra a doença. Durante a ação, a vacina estará disponível nas Unidades Básicas de Saúde, UPAs, instalações montadas pela SES e também nos quartéis do Corpo de Bombeiros.


Moradores preocupados



Moradores do Fonseca, estão preocupados desde que souberam da morte do Macaco, no bairro. O síndico do Condomínio Lopes da Cunha, 145, na rua de mesmo nome, Jairo Xavier,62 anos, disse que vai enviar uma circular aos moradores, pedindo que eles providenciem a vacinação, bem como mantenha os cuidados básicos para que não haja a proliferação do mosquito no empreendimento, que  é vizinho do Horto do Fonseca e tem 288 apartamentos.


“Vamos avisar a todos os moradores sobre esse ocorrido e pedir que providenciem sua vacinação. Eu tenho 62 anos, e estou fora do grupo que pode se imunizar, mas vou buscar um laudo para garantir a minha vacinação. Por sermos vizinhos do Horto recebemos a vista de muitos micos diariamente, mas ainda não tivemos registros de animais mortos aqui no condomínio”, explicou.


Idosos querem se imunizar


Apesar das restrições para a vacinação em relação à idade do paciente, muitos idosos procuraram os postos em busca da imunização. Esse foi o caso da aposentada Maria dos Anjos, 64 anos, moradora do Fonseca. Ela disse que também tentou se vacinar, mas não conseguiu. Na manhã de ontem, ela visitava em companhia do marido e dos netos, o Horto do Fonseca e contou que a estratégia adotada era o uso de repelente.


“Gosto de trazer as crianças aqui porque tem um bom espaço para brincadeiras, como não consegui a vacina estou me protegendo como posso. É o que me resta”, contou.



Contraindicação 


A vacina é contraindicada para pessoas com alergia a algum componente da vacina e alergia a ovos e derivados; pessoas com doença febril aguda, com comprometimento do estado geral de saúde; ou ainda pacientes com doenças que causam alterações no sistema de defesa (nascidas com a pessoa ou adquiridas), assim como terapias imunossupressoras – quimioterapia e doses elevadas de corticosteroides, por exemplo; indivíduos portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico ou com outras doenças autoimunes; pacientes que tenham apresentado doenças neurológicas de natureza desmielinizante (Síndrome de Guillain-Barré, ELA, entre outras) no período de seis semanas após a aplicação de dose anterior da vacina; pacientes transplantados de medula óssea; pacientes com histórico de doença do Timo e crianças menores de seis meses de idade.

 

Forma urbana e suas gravidades


De acordo com o infectologista Edmilson Migowski, a forma urbana da doença, que não é registrada desde 1942 é um risco existente, já que há o vetor ( mosquito Aedes aegypti) e pessoas suscetíveis. Ainda de acordo com ele, a vacinação e o combate ao vetor devem ser a “arma” da população para evitar que isso ocorra.


 “Desde o ano passado essa vacina da febre amarela entrou na rotina universal, mas infelizmente a vacinação da população adulta ainda é muito negligenciada. As pessoas adoecem e morrem tendo uma vacina  sendo disponibilizada. Muito se cobra sobre a vacina da dengue, mas a letalidade  desta doença é de 1 pessoa para cada 1 mil. No caso da febre amarela, é de 30 a 50 para cada 100. Posso dar outro exemplo, como é o caso da meningite por meningococo, se bem tratada, a letalidade é de 20% , já no caso de febre amarela é de 30% a 50%. Então, é algo sério em que a população precisa fazer sua parte, se vacinando”, explicou.


O infectologista explicou ainda sobre a vacinação em pessoas com 60 anos ou mais. De acordo com ele, em alguns casos como, por exemplo, as cidades que tem sinalização da doença, essa decisão pode ser revista.


“No caso de pessoas com mais de 60 anos, existe a restrição porque a vacina é feita com vírus vivo atenuado. Esse público, ao receber a dose pela primeira vez na vida, pode desenvolver a doença. No caso da vacina da gripe, o vírus é fragmentado e, por esta razão, não há riscos. Mas acho que se o idoso não tem uma doença auto-imune e não está fazendo tratamento com quimioterapia ou radio terapia, é um caso a se rever”, ressaltou.


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