Escolas de samba de São Gonçalo e Niterói se reinventam para Carnaval de 2018

Agremiações usam criatividade para deixar desfile econômico

Enviado Direto da Redação
Viradouro, Porto da Pedra, Sossego e Cubango estão nos últimos ajustes

Viradouro, Porto da Pedra, Sossego e Cubango estão nos últimos ajustes

Foto: Alex Ramos


Faltavam apenas 101 dias quando a Prefeitura do Rio anunciou o corte de 50% da verba de incentivo cultural para o Carnaval deste ano. Para contornar os gastos extras, as agremiações resolveram usar a criatividade para deixar o Carnaval, além de bonito, econômico. As escolas de Niterói e São Gonçalo diminuíram a quantidade de componentes na avenida. Outras também resolveram buscar recursos e fornecedores mais baratos para não perder o brilho, como foi o caso da Porto da Pedra.


Porto da Pedra


Tentando voltar ao grupo especial do Carnaval carioca após seis anos na séria A, a Porto da Pedra está driblando a crise para realizar esse sonho. Com o enredo ‘Rainhas do Rádio – Nas ondas da emoção, o Tigre coroa as Divas da canção!’, a vermelho e branco estima que 70% dos preparativos estejam adiantados.


O presidente da agremiação, Fabio Montibelo, contou que, mesmo prejudicada com o corte de 50% de investimento, a comunidade tem se comprometido para fazer um Carnaval bonito na avenida. “A gente recebe ajuda de amigos e invisto até meu próprio dinheiro, porque temos o compromisso e gostamos da escola. Esse ano será o nosso melhor Carnaval”, prometeu o presidente.


A escola será a quarta a entrar na avenida na sexta-feira de Carnaval. A estimava é de que cerca de dois mil componentes desfilem em 23 alas. Para adiantar os preparativos, a Porto da Pedra montou seu próprio atelier central, que funciona na Praia das Pedrinhas, em São Gonçalo. No local, cerca de 10 pessoas, entre elas sete passistas da escola, trabalham diariamente.


“A previsão é de que até o fim de janeiro esteja tudo pronto. Estamos produzindo peças de 14 alas e 18 figurinos, prontos para adereçar. Cerca de 2,6 mil peças já foram feitas, em um total de 4,5 mil. Então, mesmo diante da crise, estamos com tudo adiantado”, explicou o coordenador de alas, Sandro Reis.


No barracão, a agremiação também está com parte dos carros alegóricos preparados. De quatro, dois deles já estão com a estrutura montada e recebendo adereços.


Sossego


Apostando em um samba enredo atemporal, a Acadêmicos do Sossego fará uma ‘viagem’ na história dos rituais religiosos com o enredo ‘Ritualis’. A escola do Largo da Batalha traz uma novidade para 2018: o carnavalesco Peterson Alves, que é tricampeão do Carnaval de Vitória (ES).


Segundo o carnavalesco, o enredo será colorido e rico de informações, onde serão apresentados todos os rituais com objetivo de quebrar a intolerância e abrir as portas para o respeito.


“Quando Deus fez o mundo, deu a nós o direito de seguir o que quiséssemos. A gente pede que as pessoas tenham mais respeito, principalmente pelo samba. É uma coisa que está na veia do povo brasileiro, é a nossa cultura, só nós brasileiros sabemos fazer essa grande festa a céu aberto”, explicou Peterson.


A escola entra na avenida com três carros alegóricos e 16 alas. Os preparativos da azul e branco, que está em seu segundo ano na série A do Carnaval carioca, estão avançados. Segundo o diretor de Carnaval, Almir Jhunior, o atelier está com 80% das produções adiantadas.


Para driblar a crise, a agremiação precisou diminuir o número de componentes e procurar materiais mais baratos. A Sossego entra na avenida com 1,6 mil integrantes, 20% a menos do que no ano passado.


“Estão faltando apenas os adereços das peças. O nosso barracão também está pronto para começar a preparação. Nossos quatro carros estão com a estrutura e esculturas prontas”, informou Almir. A expectativa do diretor é de que a escola fique entre as cinco melhores da série A.


Cubango


A Acadêmicos da Cubango decidiu enfrentar a crise de forma criativa e ousada. A agremiação - que irá abordar a vida e obras de Arthur Bispo do Rosário no enredo ‘O Rei que Bordou o Mundo’ - está apostando no uso alternativo de materiais.


Os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad optaram pelo tema pelo fato de Bispo do Rosário ser um dos maiores artistas plásticos contemporâneos brasileiros e nunca ter sido tema de um desfile. A escola será a quinta a desfilar no sábado de Carnaval.


“Nós entendemos que é importante contar a história desse artista porque é um personagem negro ainda desconhecido. Quando internado em um manicômio, durante mais de 50 anos, o bispo passou a produzir objetos com diversos itens oriundos do lixo e da sucata, que depois de descobertos, foram classificados como arte vanguardista”, contou.


O carnavalesco ainda explicou que o enredo se encaixou com o fato das escolas da série A terem sofrido o corte. “Estamos apostando no uso alternativo de materiais e na reutilização de elementos com uma outra roupagem para driblar a crise e apresentar um espetáculo com elementos novos que façam esse equilíbrio entre luxo e respeito a linguagem do artista. Com esse tema, não tem como fazer um desfile cravejado de pedrarias”, explicou o carnavalesco.


A preparação do Carnaval da verde e branca já está 50% concluída, com fantasias adiantadas para todas as 20 alas e parte estrutural dos carros alegóricos montada. Segundo Leonardo, houve um atraso, mas todas as alas estão na fase do adereço. A conclusão deve acontecer em meados de janeiro.


Viradouro


A Unidos da Viradouro começou a preparação do Carnaval antecipadamente e, por isso, é uma das únicas escolas da região que não teve tantos prejuízos com o corte de 50%. A agremiação é a terceira a desfilar no sábado de Carnaval com o enredo “Vira a cabeça pira o coração. Loucos gênios da criação”.


Segundo o carnavalesco Edson Pereira, cerca de 90% do barracão está completo, apenas em fase de acabamento. O resultado foi possível porque a escola começou a trabalhar em maio do ano passado. “Devemos terminar todos os preparativos até o meado de janeiro. Ficarão apenas alguns detalhes para a avenida. Os três carros estão prontos e o outro em fase de finalização. Nossas fantasias também estão 95% adiantadas”, informou.


Edson também contou que a escola conseguiu aproveitar muitos objetos do desfile anterior. Assim como as outras escolas, a vermelho e branco está apostando em materiais recicláveis. “Esse corte vai mexer com a estrutura do Carnaval em si. Nós, da Viradouro, por sorte, conseguimos começar bem cedo e reciclamos muita coisa, o que reduziu bastante o custo. Por causa disso, deu para trabalharmos com mais acabamento e zelo nas fantasias. Então, isso é um diferencial”, contou.


A escola entra na avenida com um número de componentes maior do que em 2017. A Viradouro conseguiu aumentar os integrantes para 1,9 mil, divididos em 22 alas e quatro alegorias. Pereira promete que a agremiação fará um desfile dinâmico e interativo, mas deixou as novidades para a avenida.


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