Prefeitura dá calote e 4 mil crianças podem ficar sem creche em São Gonçalo

Representantes fizeram manifestação na Prefeitura

Enviado Direto da Redação
Os manifestantes fecham parte da Rua Feliciano Sodré

Os manifestantes fecham parte da Rua Feliciano Sodré

Foto: Julio Diniz

Sem receber repasses há nove meses, representantes de creches conveniadas à Prefeitura de São Gonçalo, professores e pais de alunos realizaram, na manhã de ontem, uma manifestação nas escadarias da sede do Executivo. Durante a ação, eles fecharam parte da Rua Feliciano Sodré para protestar contra o prefeito José Luiz Nanci, que se negou a recebê-los durante o ato.


De acordo com o grupo, os repasses são feitos pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), mas apesar de recolher, a Prefeitura não estaria quitando os débitos com as 34 creches que, juntas, atendem mais de quatro mil crianças por toda a cidade.


Elidia Lemos, diretora de três creches e representante da comissão, disse que os atrasos variam de cinco a nove meses. “Eles falaram que nos pagaram, mas isso não aconteceu. O dinheiro é federal e não sabemos para onde está indo. Eles falam que não têm recurso em caixa, mesmo sendo garantido pelo Fundeb”, contou.


Ainda segundo Elidia, a prefeitura alega erros na documentação, mas nem o convênio foi renovado. “Como vamos legalizar as certidões se não temos dinheiro para pagar os funcionários. O trabalho está sendo, praticamente, voluntário. O pouco de recurso que temos é para garantir o atendimento às crianças. Dessa forma, somos obrigados a parar. Serão quatro mil crianças sem atendimento”.


Mãe de aluno, a vendedora Nathália Oliveira teme que sua filha de quatro anos perca o direito de ir para creche na Trindade. “Eu não tenho como pagar alguém para tomar conta dela ou creche particular. Se ela perder esse direito, vou deixar de trabalhar e vai complicar muito o nosso orçamento. Queremos o que é direito nosso. Toda criança precisa estar na escola”, afirmou.


O movimento promete fazer novas manifestações, caso não haja pagamentos nos próximos dias. A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Gonçalo foi procurada, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.

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