Reajuste de R$ 42 no salário mínimo em 2018 revolta gonçalenses

Valor é considerado muito baixo

Enviado Direto da Redação
A auxiliar de creche Bárbara Cristina Padilha diz que acréscimo representa muito pouco na prática

A auxiliar de creche Bárbara Cristina Padilha diz que acréscimo representa muito pouco na prática

Foto: Leonardo Ferraza


A partir de 1º de janeiro de 2018, o salário mínimo passará dos atuais R$ 937 para R$ 979, um reajuste de R$ 42. É o que prevê o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2018, que será enviado pelo presidente Michel Temer (PMDB) ao Congresso Nacional na próxima quinta-feira (13).


Mesmo com a repercussão negativa sobre o reajuste por parte da população, ao anunciar o novo salário mínimo, o ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira, ressaltou que as projeções do governo federal são “realistas, transparentes e alinhadas com as estimativas do mercado financeiro”.


“Como temos feito desde o início do novo governo, temos buscado ser muito transparentes a respeito da política fiscal e dos números apresentados”, reiterou o ministro, durante entrevista coletiva.


A decisão, no entanto, não agradou os gonçalenses, para quem o valor é muito baixo e não acompanha as necessidades da população. Na manhã de ontem, O SÃO GONÇALO, acompanhou a auxiliar de creche Bárbara Cristina Padilha, 31 anos, em suas compras.


Em apenas 5 minutos, ela que recebe um salário mínimo, gastou os R$ 42 referentes ao reajuste, sem conseguir encher uma cestinha no supermercado de seu bairro.


“Esse aumento representa o desrespeito desse governo conosco. É extremante absurdo. Meu salário é tão baixo que só faço compras com a calculadora nas mãos. Esse aumento não acompanha a inflação. Não dá para pagar nem uma semana de passagens de ônibus, por exemplo”, reclamou.


Na cesta de Bárbara foi possível acrescentar 1kg de carne (pá), 1kg de macarrão, 1kg de açúcar, 1kg de fubá, uma garrafa de óleo, 1kg de arroz, 1kg de feijão, 1kg de farinha de trigo e um pacote de extrato de tomate.


“Uma compra não se faz apenas com esses itens. Tem as verduras e frutas que são compradas a cada semana, além de produtos de limpeza. Esse valor é irrisório”, disse.


A mesma opinião é compartilhada pela aposentada Leci Farias, 57 anos. “Com esses R$42, não consigo comprar nem dois quilos de alcatra. Isso é um desrespeito com o cidadão. Ao contrário do nosso o salário, os dos políticos só aumentam”, afirmou.


Inflação - A equipe econômica anunciou os parâmetros da LDO, que servem como base para o Orçamento. Neste ano, o valor do salário mínimo é de R$ 937. Como crescimento da economia no ano passado foi negativo, o valor será corrigido pela inflação de 2017, projetada em 4,3% pelo governo, como prevê a regra de valorização do mínimo aprovada pelo Congresso Nacional.

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