17 de Maio de 2012

Geral
Enviado por Paulo Victor Guimarães 7/1/2012 19:17:48

Novo aterro ainda este mês

A empresa responsável pela construção do Aterro Sanitário de São Gonçalo, Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental S.A, confirmou, para o fim deste mês, a entrega das obras no Rio do Ouro, faltando apenas concluir a via de acesso. Desta forma, fica na dependência da prefeitura estabelecer a data de inauguração. A empresa informou, ainda, que a emissão da Licença de Operação (LO) está em trâmites legais finais e, tão logo o aterro seja inaugurado, os trabalhos no lixão de Itaoca serão cancelados e o local será monitorado e controlado até sua estabilização total. No encerramento, serão realizadas obras de revitalização da área diretamente impactada.

A Haztec informou que os resíduos coletados pela Prefeitura de São Gonçalo serão tratados e destinados na Central de Tratamento de Resíduos (CTR), no Rio do Ouro, e os caminhões passarão pela guarita, sendo pesados e encaminhados para a unidade de tratamento correspondente. Os resíduos domiciliares e urbanos vão para a célula do aterro sanitário e os hospitalares para outro ambiente.

“Os caminhões vão descarregar o lixo na célula e ele será compactado e coberto com argila, formando camadas. Ao final da quinta camada, o talude (plano inclinado que limita um aterro) é coberto com argila, seguido de solo e muda de vegetação rasteira”, explicou o engenheiro civil responsável pela obra, Rogério Peres Ramos.

O processo total de compactação consiste em camadas de proteção com permeabilização, tecido de proteção (geotêxtil), um tipo de carpete (geocomposto), manta específica (geomembrana), geotêxtil mais uma vez e, por último, uma proteção com argila.

Mão de obra - A CTR tem capacidade para receber 2,5 mil toneladas de resíduos por dia e serão realizadas, em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ações de apoio às cooperativas de reciclagem existentes na região, incluindo a absorção de parte dos catadores que hoje trabalham em Itaoca. Quanto à coleta seletiva, a Haztec informou que é necessário uma ação conjunta do poder público local com órgão ambiental, empresários e população em geral.

Segundo a empresa, atualmente cerca de 40 ex-catadores trabalham como funcionários na operação de Itaoca em funções de auxiliar de serviços gerais, apontador, motoristas e porteiro. Todos foram convidados a trabalhar na CTR e a maior parte aceitou o desafio.

Reflorestamento - Como compensação ambiental por desmatar uma área para construir o aterro, o engenheiro Rogério Peres Ramos afirmou que locais dentro da CTR e na própria cidade serão reflorestados. “Faremos um reflorestamento de 2,5 milhões de metros quadrados no local e em outros lugares da cidade. Inicialmente, temos a previsão de uso do espaço num prazo de 15 anos e a área hoje utilizada pode chegar a 90 metros de altura (de lixo), dentro de uma área de 45 mil metros quadrados. Isso corresponde a 10% da nossa possibilidade de atuação. Certamente, a área de uso será ampliada posteriormente”.

O engenheiro contou ainda que a central de tratamento tem autonomia de tratamento de 300 metros cúbicos por dia de chorume (líquido tóxico derivado da decomposição do lixo) na estação de tratamento da CTR São Gonçalo. De imediato, a Águas de Niterói, vai ser responsável por cuidar do resíduo até que a Estação de Tratamento gonçalense fique pronta. 

Itaoca passará por obras de revitalização

Parte dos funcionários da operação de Itaoca (cerca de 60 pessoas) migrarão para a CTR SG. O lixão de Itaoca, localizado no bairro de mesmo nome, é um espaço a céu aberto que recebe, desde a década de 1970, todo o resíduo do município. Após o encerramento das operações, ele será monitorado e controlado até sua estabilização total.

Para que o local possa ser considerado seguro, serão realizadas obras de revitalização da área diretamente impactada, com cobertura total do aterro com argila, geometrização do aterro visando a sua estabilidade, drenagem do chorume, drenagem das águas pluviais (das chuvas), plantio de mudas de espécies nativas do bioma local e captação e tratamento de gás. Segundo o engenheiro Rogério Peres Ramos, o local só poderá ser utilizado com o intuito de visitação, nada além.

Tráfego na região afeta moradores

No local onde o Aterro Sanitário de São Gonçalo está sendo erguido há mais seis empresas (duas concreteiras, uma pedreira, uma fábrica de blocos e uma usina de asfalto) e a via de acesso, a Rua Tenente João Garcia, é a única para todos os empreendimentos. Logo depois que foram anunciadas as obras da CTR, os moradores ficaram mais preocupados.

“Eles foram chegando aqui e não nos comunicaram nada. Invadiram nosso espaço. Alguém tinha que conversar com a gente e hoje não temos garantia de vivermos num ambiente saudável. Existem duas outras entradas, a de Ipiíba e Anaia e eles escolheram exatamente essa para passar”, reclama o aposentado Gaetano Reitano, 62 anos.

Dado o volume de veículos, os moradores reclamam também do barulho inteso do tráfego que, segundo eles, é intenso.

“Não tem um minuto se quer que a gente tenha sossego aqui. É barulho até durante a madrugada. Não há respeito do horário de silêncio”, critica o marceneiro Jair Ferreira Cardoso, 48 anos, que acrescenta. “O asfalto chegou aqui e ouvi dizer que não terá calçada, que vai ser só a pista. Os pedestres foram excluídos do projeto”.

Em resposta, a Haztec informou que o horário de funcionamento das obras da CTR São Gonçalo é das 7h às 17h. “Existe um complexo industrial no entorno da Rua Tenente João Garcia e isso pode ser responsável por esse barulho, cujo horário de funcionamento deve ser conferido com os mesmos”, defendeu a gerente de Comunicação Corporativa da empresa, Roberta Magalhães.

A gerente explicou ainda que o projeto de melhoria da via de acesso prevê a construção de calçadas que serão feitas após a pavimentação. Ela afirmou também que no ano passado aconteceram diversos encontros dos representantes da empresa com a comunidade em reuniões comunitárias, seminários, visitas à obra, etc.

“Esse ano iremos continuar com os encontros e os interessados em saber mais informações devem entrar em contato com o Centro de Convivência no telefone (21) 2702 1427 e com a ouvidoria da CTR São Gonçalo, gratuitamente, através do telefone 0800 024 6114. Quanto às possíveis entradas, a empresa está utilizando a mesma via que já é impactada pelos diversos caminhões que atendem as demais emrpesas e usar uma via diferente dessa implicaria na expansão do impacto a outras áreas não afetadas”, argumentou.

Mantida taxa de recolhimento

De acordo com a Secretaria de Fazenda, a taxa de recolhimento de lixo não sofrerá alterações, se mantendo em quatro unidades fiscais de São Gonçalo. O único detalhe é a atualização do valor de cada Ufisg, comum a cada dia 1º de janeiro, passando para R$ 23,61. Desta forma, o valor real será de R$ 94,44, sendo o aumento de R$6,36 em relação ao ano passado, equivalente a pouco mais de 7%.

Impactos sob fiscalização

O gerente de Obras de Resíduos Sólidos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Osmar Dias Filho, informou que a preparação do terreno tem sido acompanhada pelo Inea. Já a Secretaria Estadual de Ambiente afirmou que uma equipe formada por técnicos da secretaria e do Inea fazem um acompanhamento permanente dos impactos que poderão ser causados na comunidade do entorno.

Procurada, a Secretaria municipal de Ambiente não se manifestou.





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