17 de Maio de 2012

Geral
Enviado por Gisele Paiva e Laís Reis Bastos 29/1/2012 23:08:33

Aposentadoria em cheque

No último dia 24, celebrou-se o Dia do Aposentado, mas a data não sugere muitas comemorações, afinal, a categoria ainda enfrenta muitos desafios para garantir seus direitos. A Prefeitura de São Gonçalo e órgãos particulares são os grandes pilares em busca da melhoria da saúde, do salário e qualidade de vida dessa parcela da população, que dedicou anos da sua vida em prol da sociedade por meio da sua força de trabalho. Mas uma das maiores dificuldades são os baixos salários pagos pela Previdência.

José Fernando da Silva, 63 anos, mora em São Gonçalo, mas ainda trabalha no Rio. Ele disse que não deu para se aposentar com o valor que ia receber após o término do serviço. “Eu continuei trabalhando justamente por causa do salário. Com o que um aposentado ganha, não dá nem para pagar um plano de saúde e eu, que moro de aluguel, infelizmente não conseguiria pagar minhas contas”, lamenta.

José Fernando é um exemplo dos muitos que deveriam desfrutar de uma aposentadoria tranquila, mas optou por continuar trabalhando só para não ter o salário diminuído e continuar pagando as contas. “Só vou saber a hora certa de me aposentar quando o salário que um aposentado suprir todas as minhas necessidades. Infelizmente o salário de um aposentado não dá para quase nada”, reclama com indignação.

O Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais de São Gonçalo (Ipasg), em constante trabalho junto à Secretaria municipal de Seguridade Social (SMSS), que trabalha com a política de bem-estar voltada aos servidores do município de São Gonçalo, tem obrigações fundamentais, que incluem tratar o aposentado com humanidade para que seus direitos sejam garantidos. O secretário Jorge Magdaleno desenvolve ações para melhorar o atendimento aos cerca de 15 mil servidores aposentados, pois a maioria já não consegue acompanhar alguns processos da aposentadoria por conta da grande demanda e da tecnologia avançada. A SMSS oferece serviços como auxílio-educação, programa de carta de crédito, adiantamento salarial ou do 13º salário em casos de enfermidade comprovada e os servidores também podem candidatar-se a fiscais de prova, desde que não participem do concurso.

Em nome da luta


Para reforçar a luta pelos aposentados, a Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Municípios de Niterói e São Gonçalo tem lutado em prol de benefícios previdenciários, pois a classe aposentada sempre encontrou resistência do governo. A associação conta somente com a colaboração de 1% do salário dos aposentados e pensionistas conveniados e é somente com esse dinheiro que tem a oportunidade de prestar serviços, como cálculos de aposentadorias, setor jurídico, assembleias mensais para tratar de assuntos pertinentes às aposentadorias e também pagar os médicos que são disponibilizados aos conveniados uma vez por semana na sede (Rua Benjamin Constant, nº 385, Barreto, Niterói).

O diretor secretário da associação, o aposentado Nilo Sérgio Alves Pinheiro, eleito na última assembleia, explicou que existe uma grande diferença entre a associação e o sindicato. “A associação não tem nada a ver com um sindicato. Na associação, somos menos favorecidos pelos governantes, pois não apoiam nossas reivindicações. Nenhum órgão reconhece os anos de trabalho e contribuição que já tivemos”, conta.

Exemplo de uma reivindicação é a luta pela equiparação salarial. “O salário mínimo aumentou, mas o nosso salário de aposentadoria não. Se um aposentado recebe o equivalente a quatro salários, por exemplo, daqui há alguns anos ele receberá o equivalente a um, se for comparado ao salário mínimo da época”, diz o diretor.

Por outro lado, uma das maiores conquistas foi o movimento que parou a Ponte Rio-Niterói com adesão de aproximadamente 500 aposentados. Na época, todos conseguiram 147% do salário que estava defasado, mas, infelizmente, nem todos os atrasados foram acertados.

O aposentado José Mendes Dantas, 57 anos, trabalhava como zelador num prédio e está aposentado há mais de um ano. Antes da aposentadoria, ele trabalhava todo sábado como pipoqueiro, no bairro do Rocha. José viu que precisava aumentar sua renda, diminuída após a aposentadoria e desde então passou a trabalhar diariamente na pracinha do Rocha. “Com o meu salário não dá para pagar nem o plano de saúde, mais caro por causa da minha idade. A gente sofre para conseguir médico, as filas são muito grandes e quando conseguimos uma consulta, o médico pergunta porque demoramos”, diz.

A esperança por uma melhoria salarial não se apaga. “Compro jornal, procuro sempre me informar sobre aumento no salário, mas para quem recebe acima de um salário mínimo, acho que não vê necessidade do aumento”, completa José.

Atividades extras

A Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Municípios de Niterói e São Gonçalo, além de ajuda e melhorias para os aposentados e pensionistas, promove também constantes eventos como passeios, serestas e almoços para os associados. “É uma forma de lazer que nós temos, pois contribuímos pouco, mas além de corrermos atrás de nossos direitos, também temos diversão”, conta o diretor. A associação terá uma palestra, no dia 3 de fevereiro, com o deputado federal e ex-delegado federal Protógenes Queiróz, às 10h.
 





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