2017: 30 anos do acidente com o Césio - 137 em Gôiania

Enviado Direto da Redação

É bem comum quando ouvimos falar de acidentes com radiação, nos remeter ao acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia (1986); a bomba de Hiroshima e Nagasaki (1945); o roubo e acidente com um caminhão que transportava uma carga de cobalto-60, em Tepojaco, no México (2013); entre tantos e tantos outros que causaram muitas mortes de pessoas, animais e da própria natureza a que tiveram alcance. Fora as milhares de pessoas que sofreram e as que ainda sofrem contaminadas por diversas substâncias e principalmente a própria radiação. 

Em setembro de 1987, em Goiânia (GO), uma cápsula com um sal de césio retirada de um hospital abandonado, foi encontrada por dois sucateiros, que a violaram e venderam-na para um ferro velho. O dono desse ferro velho abriu a caixa que continha a cápsula a fim de aproveitar o chumbo. Mas ao fazer isso, ele liberou para o meio ambiente, cerca de 19 gramas de cloreto de césio-137. O sal de césio emite um brilho azulado muito bonito, o que encantou o dono do ferro velho, que acabou distribuindo o material a amigos e familiares. 

Algumas dessas pessoas, encantadas com tal brilho, chegaram a espalhar o cloreto de césio-137 sobre a pele. A falta de conhecimento da população fez com que dezenas de pessoas fossem contaminadas e os primeiros sintomas apareceram apenas algumas horas depois. As pessoas apresentavam náuseas, vômitos, tontura e diarreia. O acidente foi descoberto duas semanas depois. 

Após os primeiros sinais de contágio pela radioatividade, a peça foi levada à Vigilância Sanitária pela esposa do dono do ferro velho, que constatou tratar-se de material tóxico. A partir de então, casas e ruas foram isoladas e a cidade foi invadida por especialistas e técnicos em radiação. Foram feitos testes em moradores para saber se estavam contaminados. Os primeiros atendimentos foram no Estádio Olímpico de Goiânia e os casos mais graves foram transferidos para o Rio de Janeiro. Mais de mil pessoas foram contaminadas por radiação de Césio-137. Na ocasião, quatro morreram. Mas, estima-se que dezenas de pessoas faleceram em consequência de complicações desenvolvidas a partir da contaminação. 

A tragédia causou uma comoção nacional, mas também gerou, na época, uma discriminação contra os goianos. Ainda hoje, uma associação de vítimas luta para resgatar a cidadania dessas pessoas que foram contaminadas. Mesmo passadas quase três décadas da tragédia, o acidente ainda deixa resquícios de medo. Mas, segundo o supervisor de radiodivisão César Luis Vieira, que também trabalhou na época do acidente, o risco de contaminação em Goiânia foi praticamente extinto.

“Se for comparar o resultado de hoje com o da época, é uma diferença (de radiação) quase mil vezes menor”, afirma. César explica ainda que o nível de radiação da cidade é considerado dentro dos padrões normais. “Não há nenhum lugar que não tenha material radioativo, como, por exemplo, o urânio, que está no solo. É o que a gente chama de radiação natural, mas que não oferece risco”, complementa.

Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), no âmbito radioativo, o Césio-137 só não foi maior que o acidente na usina nuclear de Chernobyl. Esse acidente mostrou o quanto é perigoso manusear determinados tipos de materiais e substâncias sem o devido conhecimento e sem os equipamentos necessários. 

A Vigilância Sanitária, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros são treinados para lidar com as mais diversas situações, entre elas as de identificação e retirada dos mais diversos tipos de materiais e substâncias. “PARA GANHAR CONHECIMENTO, ADICIONE COISAS TODOS OS DIAS. PARA GANHAR SABEDORIA, ELIMINE COISAS TODOS OS DIAS.” (LAO-TSÉ) – Preserve o meio ambiente. 

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