O cacau

Enviado Direto da Redação

Recentemente comemoramos a Páscoa e um costume tradicional de nossa cultura nesta época é a troca de bombons e “ovos” de chocolate. É muito comum ouvirmos falar dos chocolates ao leite, branco, amargos e meio amargos. A diferença principal entre eles está na quantidade de açúcar e cacau que são utilizados na fabricação de cada um. Quanto maior o percentual de cacau, mais amargo e, também considerado em diversas pesquisas, mais saudável.

O cacau é um fruto do cacaueiro, originário da América do Sul e considerado um alimento funcional, o que significa que além das propriedades nutricionais básicas ainda possui efeitos benéficos para a saúde. 

Cacau é uma palavra que deriva do termo Kakaw, de origem maia. Segundo alguns estudiosos a palavra pode ser traduzida como “suco amargo”, mas em essência, Kakaw é um fonema e era usado para se referir ao cacaueiro.

Quando os primeiros colonizadores espanhóis chegaram à América, o cacau já era cultivado pelos índios, principalmente os Astecas, no México, e os Maias, na América Central.  De acordo com os historiadores, o cacaueiro, chamado cacahualt, era considerado sagrado. No México os Astecas acreditavam ser ele de origem divina e que o próprio profeta Quatzalcault ensinara ao povo como cultivá-lo tanto para o alimento como para embelezar os jardins da cidade de Talzitapec.  Seu cultivo era acompanhado de solenes cerimônias religiosas.

Existe uma probabilidade de que esse significado religioso tenha influenciado o botânico sueco Carolus Linneu (1707 – 1778), que denominou a planta de Theobroma cacao, chamando-a assim de “manjar dos deuses”.

No que se refere a sua origem, diferentemente do que se imaginava, o cacau tem origem amazônica - e não centro-americana - e já era consumido há 5,5 mil anos, aponta uma pesquisa desenvolvida por vários arqueólogos equatorianos e franceses, que chegaram a encontrar restos de uma grande cultura no sudeste do Equador. 

Francisco Valdez, que dirige a missão de pesquisa na jazida Santa Ana-La Florida, no cantão Palanda de Zamora Chinchipe, declarou à Agência EFE que o cacau foi criado na alta Amazônia e de lá, de alguma forma, foi levado à América Central. “Na realidade, o cacau não é original dessa região, da América Central, como pensávamos até agora, pois se presume que, inclusive, há 7 mil anos ele já existia na bacia alta da Amazônia”, diz. Seu uso social foi iniciado há 5,5 mil anos, segundo os testes de carbono 14 a que foram submetidos os vestígios encontrados na cultura Mayo-Chinchipe-Marañón, descoberta em 2002 na região e que aparentemente se estendeu pela floresta peruana até o maior afluente da parte alta do rio Amazonas.

“O cacau é amazônico e, por algum mecanismo, foi levado a esta região da América Central, onde ganhou uma importância cultural muito grande”, acrescentou Valdez, que lidera o projeto em Zamora Chinchipe, com o auspício dos institutos de Patrimônio Cultural (INPC) do Equador e de Investigação para o Desenvolvimento (IRD) da França.

Oficialmente o cultivo do cacau começou no Brasil em 1679 através da Carta Régia que autorizava os colonizadores a plantá-lo em suas terras.

Em 1746 Antonio Dias Ribeiro, da Bahia, recebeu algumas sementes do grupo Amelonado – Forastero - de um colonizador francês, Luiz Frederico Warneau, do Pará, e introduziu o cultivo na Bahia. O primeiro plantio nesse estado foi feito na fazenda Cubículo, às margens do rio Pardo, no atual Município de Canavieiras. Em 1752 foram feitos plantios no Município de Ilhéus.

O cacau se adaptou bem ao clima e solo do Sul da Bahia, região que produz hoje 95% do cacau brasileiro, ficando o Espírito Santo com 3,5% e a Amazônia em 1,5%.

O Brasil é 5° produtor de cacau do mundo, ao lado da Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões. Em 1979/80, a produção brasileira de cacau ultrapassou as 310 mil toneladas.

Cerca de 90% de todo o cacau brasileiro é exportado, gerando divisas para o país. No período 1975/1980, o cacau gerou 3 bilhões 618 milhões de dólares.

Que o cacau lembra o chocolate não há dúvidas, sempre foi assim, desde os astecas, que em suas cerimônias religiosas incluíam o Chocolate. O cacaueiro sempre foi cultivado para aproveitar apenas as sementes de seus frutos, que são a matéria-prima da indústria chocolateira. Mas, do fruto do cacaueiro é possível extrair outros subprodutos, já comum a industrialização do suco de cacau, a partir da extração da sua polpa.

A casca do fruto do cacaueiro, também pode ter aproveitamento econômico. Ela serve para alimentar bovino, tanto in natura como na forma de farinha de casca seca ou de silagem, como também para suínos, aves e até peixes. A casca do fruto do cacaueiro pode ainda ser utilizada na produção de biogás e biofertilizante, no processo de compostagem ou vermicompostagem, na obtenção de proteína microbiana ou unicelular, na produção de álcool e na extração de pectina. “SERIA ÚTIL PLANTAR UM CARVALHO NA ESPERANÇA DE TER, EM BREVE, O ABRIGO DE SUAS FOLHAS.” (ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY) – Preserve o meio ambiente.

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