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Enviado Direto da Redação

Sem muita surpresa, o técnico Milton Mendes foi demitido do Vasco da Gama, depois de cinco jogos sem vitória, que terminou com uma derrota por 3 a 0 para o Bahia no fim de semana, onde o time parecia um bando em campo, sem sistema tático, sem orientação, sem comando. Vontade não faltou, o que faltou foi futebol. E assim, de maneira melancólica, e depois de um início de Brasileirão bem promissor, o professor se despediu. A segunda troca de técnico no ano. Dentre os times que disputam a Série A, só Botafogo, Corinthians, Fluminense, Grêmio e Cruzeiro não mudaram o treinador.


Sai Rogério Ceni, entra Dorival Júnior, sai Dorival Junior, entra Levir Culpi, sai Eduardo Batista, entra Cuca, sai Eduardo Batista, entra Fabiano Soares, sai Zé Ricardo (o favorito a assumir o Vasco) entra Reinaldo Rueda. Já são 16 trocas de técnico no campeonato, apenas na 21ª rodada. Ontem, houve na CBF uma reunião onde, entre outras coisas, os técnicos brasileiros fizeram uma proposta que limita o número de trocas de comando que um time pode fazer em um ano para uma, ou seja, um time só poderia ter dois técnicos por temporada. Além disso, também foi proposto um limite de técnicos estrangeiros no país, reflexo da insegurança que os profissionais da área sentem.


Numa época em que o ódio a imigrantes tem aumentado exponencialmente em todo o mundo, com destaque para países da Europa e dos Estados Unidos, é no mínimo triste vermos treinadores brasileiros com medo de perderem seus empregos pra gente de fora. Ou que tanto torcida como imprensa, criem uma atmosfera de falência do futebol nacional, com afirmações como “técnicos brasileiros estão ultrapassados” ou “a Europa é a vanguarda do futebol”, e por aí em diante. Essa falta de confiança dos técnicos brasileiros é um sintoma de algo muito maior.


A cultura de resultados que nós temos aqui a tempos queima técnicos, jogadores, clubes, torcedores. O que acirra o medo daqueles que vivem em qualquer um desses setores no esporte. O medo cria insegurança, que leva a soluções pouco pensadas, e equivocadas muitas vezes. Como criar regras para contratações ou demissões de técnicos, ou limites xenófobos para estrangeiros. Qual será a próxima? Em caso de derrotas seguidas, técnicos poderão processar o clube por montar um elenco ruim, ou processar adversários por terem elencos melhores?


Nós precisamos mudar a cultura. Não apenas não mandar técnicos embora após qualquer derrota, mas também não fechar as portas para conhecimento que vem de fora. Não é uma questão de diminuir, ou aumentar a velocidade com que a roda gira, mas sim, de destruir a roda e construir uma novinha em folha. E isso leva tempo.

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